26 de janeiro de 2012. Céu parcialmente encoberto por nuvens, com previsão de chuva no fim do dia.
Bem diferente de ONTEM, quando acordei com o sol queimando minha cara, meu travesseiro molhado de suor.
Bem diferente, também, de ANTEONTEM, quando acordei mais molhado ainda, por culpa de um pesadelo. E do mesmo sol queimando minha mesma cara.
É uma decisão complicada: se fecho a cortina, durmo com calor. Se deixo a cortina aberta, acordo com o sol no zói.
ANTEONTEM fui no Facebook e gritei "alguém quer ir à praia?". Ninguém.
ONTEM gritei no Face: "estou indo à praia, quem vai?". Ninguém.
HOJE, foda-se Facebook. Acordei com o despertador, terminei de cortar o cabelo (ontem, suando como estava, não dava), vesti a sunga, coloquei a bolsa no ombro e… Minha tia me pediu um favor.
Foi bom, porque me senti útil.
Foi bom, também, porque o sol já estava indo embora.
Foi bom, mais ainda, porque tive mais uma prova de que…
Mais uma prova de que… Se você tem que/quer fazer alguma coisa… Faça!
É o mais simples mas… Muitas vezes a e… Muitas vezes o mais simples é o mais fácil.
Mas muitas vezes a gente não faz. Comente. Vale muuuito e não custa nada!
playa, who’s in?
O título também podia ser
"Uma ida a Niterói e o que isso me fez pensar"
***
Sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
A minha "sexta-feira 13 – o filme" começou ontem.
A quinta-feira 12 foi meio braba… além do já ruim "ter que ir à rua", senti umas cargas negativas à minha volta.
primeiro, o não-passar de ônibus.
quando veio o 415, o motorista estava muito louco. Daquele jeito.
no Estácio tinha alguém atropelado.
"se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio
bem no compasso
bem junto ao…" Paço. Ah, o Paço.
Mas antes do Paço….
Do Estácio até a Presidente Vargas, tudo engarrafado.
Na Central, aquela tensão, aquele vuco-vuco de gente entrando e saindo.
A Praça XV, não, esta estava linda!
Como tudo na vida tem seu lado bom e seu lado ruim
A frente das barcas me lembrou coisas muito boas, e coisas ruins também.
Uns passeios (acho que um só), por ali, braços dados, em que eu me sentia um Dom Pedro passeando no quarteirão…
A barca, o de sempre de um dia útil às 1805hs.
Mas não perdi a habilidade, e consegui um lugar para sentar.
Bravo, atravessei baía, quase a nado, e à terra do Araribóia cheguei.
Don Quijote moderno falando.
In Araribóia’s land…
Gente, gente, gente. Muita gente.
Para quê tanta gente no mundo?
"eu não apóio a execução sumária de certos grupos de pessoas;
mas queimar uns quatro ou cinco poderia servir de exemplo para todos." (parafraseando Sheldon Cooper)
ok, ok, retiro o que disse. Nem disse, só pensei. Por alto.
Ah, tá bom, vai dizer que você NUNCA PENSOU nada errado?
Tá, talvez não tão errado quanto, mas…
Olha, o certo e o errado só existem na sua cabeça, OK? Então você regula você e eu regulo eu. Simples assim.
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já tinha esquecido como era, mas
eu sou destas pessoas que falam o que pensam
e admitem o que fazem.
daí algumas pessoas correm, né, BFF?
se eu pensar legal, vou achar um baita vacilo teu.
não vacilo, mas… provincianismo. medieval.
o que hoje, 2012, é, sim, um vacilo.
então não penso muito.
prefiro achar que fui eu o errado.
"o interesse interfere na abertura", lembra?
Porra, por que eu não acredito nas coisas que eu mesmo falo?
Enfim, joga a culpa nas minhas costas que elas são largas.
têm de ser, pra carregar o que carrego…
se te importar, relaxa; vou lembrar só das coisas boas. e não no motivo por que acabaram.
coisas boas como o passeio do Paço.
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sobre beleza, duas coisas:
1 – minha mãe, falando para mim: ah, meu filho… Se a pessoa olhar pra você com bastante amor, você fica bonito, sim!
E eu, respondo hoje: é, mãe, com amor TODO MUNDO fica bonito.
2 – bonita, na foto, todo mundo fica.
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sobre o título:
eu ia colocar no facebook
uma foto de sunga
com a legenda:
"playa, who’s in?"
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Da série "A gente era feliz e não sabia"
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"sol, e finalmente vou à praia nas férias.
sozinho. o que é bom e ruim.
ruim porque o contato humano, especialmente com quem SE QUER ter contato, é bom.
e bom (ir sozinho) porque saio de casa (ou não) na hora que eu quiser.
vou para onde eu quiser.
falar com quem eu quiser, se quiser, o que não é mto provável.
ah, não, é provável, sim. em algum momento vou me lembrar do Airton 2.0.
2.7, quase, na verdade.
é. 27 anos. tenho que me acostumar. por um ano vai ser assim.
ou menos, "se o mundo acabar dia 21/12/2012". Mas parece que não vai acabar. Parece que é só uma grande mudança, em algum aspecto, segundo os intérpretes do negócio lá.
então, vou-me-já.
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entre o sem-graça "vou-me-já" (+- 1220hs) e agora (1354hs), comi, desisti de repetir e escrevi todo o início deste texto.
De um lado, o superego BadBoy diz ‘corre, corre, vamos pra praia’
e meu ego GoodGuy responde, tranquilo: "tá com pressa por quê? marcou com alguém?"
Parece uma namorada falando.
sim, as coisas estão assim, invertidas, mesmo.
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férias, te adoro!
p.s.: falei sobre ir à praia sozinho. sozinho é o caralho. Vou com Roberto Shinyashiki. A gente vai falando sobre A Carícia Esscencial, Uma Psicologia do Afeto.
E se…?
Tem coisas que só acontecem comigo.

Eu quase nunca saio de casa. Justo no dia em que resolvi sair…
Muito tempo atrás eu tinha aceitado a idéia de ir à Noite do Beijo na Boca, no Dito e Feito.
Pois bem, chegou o dia. Banho, ‘barba’, camisa cor bonita, perfume. Um monte. Do melhor.
Peguei duas latas de cerveja na geladeira. Não é sempre assim, abundante, mas hoje tem. Peguei duas. Uma pra mim, já fui bebendo. A outra eu pus numa sacola de mercado para não esquentar muito. Elas já estavam meio quentes. E fui para a porta do prédio vizinho onde mora o Felipe, que ia comigo para a night.
Enquanto esperava encontrei um velho conhecido. Quando nos cumprimentamos, para não queimar seu braço com meu cigarro, deixei meu celular cair.
Quando o aparelho voltou à vida (demora, mas sempre demora), recebi uma ligação do Felipe. Ele estava preso no elevador. No segundo andar, onde mora. Por que uma pessoa saudável pega elevador do segundo para o primeiro andar? Não sei, mas Felipe pegou e ficou preso.
Talvez logo Felipe conseguisse sair, e fiquei esperando, conversando com o velho conhecido.
Falávamos, sei lá, talvez sobre as mesmas piadas de 13 anos atrás, quando um carro parou em frente ao prédio. Desceram duas mulheres e dois meninos. Todos tinham a mesma idade, adolescentes, mas… Que mulheres. Ficamos admirando.
Admirando, mesmo. Não era como o olhar de pedreiros no intervalo da obra. Nossos olhares eram olhares de críticos do corpo feminino. Eram olhares adultos. Tudo era adulto, ali. Nossos olhares eram adultos, as mulheres pareciam adultas… O que atrapalhava eram os meninos, adolescentes, que lembravam que as meninas também eram adolescentes e, também nossos olhares, eram adolescentes.
Os adolescentes entraram no prédio, deixaram de ser assunto e o velho conhecido foi fazer suas compras. Voltei a ficar sozinho e eu abri a segunda lata de cerveja quente.
E fiquei bebendo, e fumando, e vendo as pessoas.
Pela calçada, vem uma mulher. Andando bem devagar, falando no celular. Com apenas uma descrição: do jeito que eu gosto. E veio olhando.
Eu tava ali, de bobeira, olhei de volta, né? E ela passou olhando…
Quase no fim de tudo eu dei um sorriso. Ela devolveu.
Pá! Já é! Fui atrás dela.
Não, mentira.
Fiquei, bebendo e fumando, olhando ela ir embora. É mais a minha cara.
E enquanto ela ia, falando no celular, olhava para trás. Uma hora um poste passou na nossa frente, depois outra pessoa, mas ela continuava olhando para mim.
Até que dobrou a esquina.
E eu pensei: é, mais uma que não peguei… Mas Felipe ainda vai demorar… E vai me avisar quando conseguir sair do elevador… Dá tempo! Vou atrás!
Joguei fora o cigarro e a sacola com a lata meio cheia e fui atrás dela.
Quando virei na esquina vi que ela ainda estava perto, andando devagar e continuava falando no telefone.
Minha educação disse “deixa, ela está ocupada, você não tem intimidade para interromper uma ligação”.
Eu mandei a educação tomar no cu e falei, alto, para ter certeza de que ela ia ouvir:
- OI, EU NÃO RESISTI AO SEU OLHAR!
Nem gritando adiantou. Ela olhou pra trás, fingiu surpresa e perguntou o que eu tinha dito.
Bom, eu tinha ouvido o que tinha dito e ainda me parecia uma boa abertura. Repeti:
- Eu disse que não resisti ao seu olhar. Por isso vim atrás de você.
Deveria ter continuado a falar, bombardeado de clichês inteligentes enquanto analisava a reação dela, mas ainda não sou muito bom em cantadas, então deixei ela respirar e responder:
- Eu também gostei muito dos seus olhos.
Olhou para minhas mãos (nem conto onde estavam minhas mãos!) e disse:
- Cadê aquela cerveja?
- Tava quente. Vamos beber uma, gelada?
Ah, garoto… Papai te ensinou essa. Enquanto ela pensava, eu apontei para o bar da esquina e disse:
- Tem esse bar aqui que é super tranquilo. Foi colocado aqui pelo destino, para esse encontro entre você e eu.
Normalmente elas não resistem às minhas construções de frase, rebeldes e dentro-da-lei.
E foi o que aconteceu com esta.
Pá, peguei.