13
Ago
09

Twitting

Por volta do dia 10 comecei uma história que pretendia contar as sensações causadas por uma carta, na esteira da canção Mensagem, que Bethânia canta de forma linda e que diz:

Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou / Com uma carta na mão
Ah! De surpresa, tão rude, / Nem sei como pude chegar ao portão
Lendo o envelope bonito, / O seu sobrescrito eu reconheci
A mesma caligrafia que me disse um dia / "Estou farto de ti" (…)
Quanta verdade tristonha / Ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei / Para não sofrer mais

A idéia até era boa, mas mal desenvolvida. Muita parcialidade. Escrevi a primeira postagem, que falava só sobre o envelope. Perdi alguns dias pensando como continuar. Num destes dias me veio uma idéia curta, que quis postar no Twitter, mas ele conseguiu ser mais curto que minha idéia, que era

E no seu isqueiro de prata havia, escrito a ouro, um trecho de um rock popular: "Hoje à tarde foi um dia bom", mostra de que sua vida era como a do enfermo que as escreveu: dias ruins, muitos dias muito ruins, pontuados por momentos amenos. Quem lhe dera esta pontuação fosse como a de seus períodos, falados ou escritos.

Isto foi escrito dia 13. Entre 13 e hoje, 25, escrevi mais duas do total de quatro partes da história da carta. A penúltima tinha saído ontem, a duras penas. A última já estava pronta, ou quase, quando recebi uma crítica sobre a terceira parte. Um simples "não gostei", mas vindo de uma pessoa cuja opinião respeito muito. Como eu também não estava gostando muito do trabalho que a história estava me dando, resolvi apagar a trilogia toda.

E esta postagem, Twitting, terminava dizendo “P.s.: a postagem ‘Um envelope’ tem continuação, tá?”. Tive que editar esta última frase e percebi o post em si tem muito a ver com o dia de hoje.

Além deste golpe no estômago, estava lembrando de uma entrevista de Paulo Coelho em que ele fala que escrever músicas com Raul Seixas o ajudou muito a escrever livros, pois ele aprendeu a dizer as coisas em períodos curtos, como são os versos das músicas. No fim do dia, já chegando em casa, ouvi O Bagulho do Amante, com Leci Brandão e fiquei pensando: ‘poxa, em dezesseis versos ela consegue contar a história, com fatos e idéias, e eu uso quatrocentas palavras e não consigo chegar a lugar nenhum. Preciso desenvolver isso.’

Não matou nem roubou / Mas foi presa em flagrante
Escondeu no chateau / O bagulho do amante
O amante saiu e largou o embrulho / Quando a casa caiu tava lá o bagulho
Hoje a vida é na cela / Toma banho de sol
Acompanha a novela e também futebol
No dia de visita / Sua mãe vai levar a criança bonita para ela abraçar
O amante saudoso nunca mais foi lhe ver / E ela nem tem direito um pouco de prazer
E que venha o alvará pra essa pobre mulher / Que um dia sairá se Deus quiser
(Leci Brandão / Ph do Cavaco)

Então estes versos de Leci e a declaração de Paulo Coelho vão me guiar neste novo período. Voltei a ler, também, e espero que isto ajude.


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