Por volta do dia 10 comecei uma história que pretendia contar as sensações causadas por uma carta, na esteira da canção Mensagem, que Bethânia canta de forma linda e que diz: Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou / Com uma carta na mão A idéia até era boa, mas mal desenvolvida. Muita parcialidade. Escrevi a primeira postagem, que falava só sobre o envelope. Perdi alguns dias pensando como continuar. Num destes dias me veio uma idéia curta, que quis postar no Twitter, mas ele conseguiu ser mais curto que minha idéia, que era E no seu isqueiro de prata havia, escrito a ouro, um trecho de um rock popular: "Hoje à tarde foi um dia bom", mostra de que sua vida era como a do enfermo que as escreveu: dias ruins, muitos dias muito ruins, pontuados por momentos amenos. Quem lhe dera esta pontuação fosse como a de seus períodos, falados ou escritos. Isto foi escrito dia 13. Entre 13 e hoje, 25, escrevi mais duas do total de quatro partes da história da carta. A penúltima tinha saído ontem, a duras penas. A última já estava pronta, ou quase, quando recebi uma crítica sobre a terceira parte. Um simples "não gostei", mas vindo de uma pessoa cuja opinião respeito muito. Como eu também não estava gostando muito do trabalho que a história estava me dando, resolvi apagar a trilogia toda. E esta postagem, Twitting, terminava dizendo “P.s.: a postagem ‘Um envelope’ tem continuação, tá?”. Tive que editar esta última frase e percebi o post em si tem muito a ver com o dia de hoje. Além deste golpe no estômago, estava lembrando de uma entrevista de Paulo Coelho em que ele fala que escrever músicas com Raul Seixas o ajudou muito a escrever livros, pois ele aprendeu a dizer as coisas em períodos curtos, como são os versos das músicas. No fim do dia, já chegando em casa, ouvi O Bagulho do Amante, com Leci Brandão e fiquei pensando: ‘poxa, em dezesseis versos ela consegue contar a história, com fatos e idéias, e eu uso quatrocentas palavras e não consigo chegar a lugar nenhum. Preciso desenvolver isso.’ Não matou nem roubou / Mas foi presa em flagrante Então estes versos de Leci e a declaração de Paulo Coelho vão me guiar neste novo período. Voltei a ler, também, e espero que isto ajude.
Ah! De surpresa, tão rude, / Nem sei como pude chegar ao portão
Lendo o envelope bonito, / O seu sobrescrito eu reconheci
A mesma caligrafia que me disse um dia / "Estou farto de ti" (…)
Quanta verdade tristonha / Ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei / Para não sofrer mais
Escondeu no chateau / O bagulho do amante
O amante saiu e largou o embrulho / Quando a casa caiu tava lá o bagulho
Hoje a vida é na cela / Toma banho de sol
Acompanha a novela e também futebol
No dia de visita / Sua mãe vai levar a criança bonita para ela abraçar
O amante saudoso nunca mais foi lhe ver / E ela nem tem direito um pouco de prazer
E que venha o alvará pra essa pobre mulher / Que um dia sairá se Deus quiser
(Leci Brandão / Ph do Cavaco)
13
Ago
09
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