Histórias do Velho Mundo:
Saí de casa para ir ao mercado. Passei em frente à porta do apartamento vizinho, ouvi uns gritos. Parei e colei o ouvido na porta. Ouvi a vizinha falando com o marido:
- Eu preciso de alguém que me dê limites, grite, xingue, bata… Um cara que diga “quem sabe sou eu!”.
- Mas eu faço isso e você continua fazendo merda. Eu te deixo sem conseguir mijar direito e você ainda consegue ir para o motel com aqueles dois?
- Eu gosto muito da coisa, tá? Me dá um motivo para não fazer?
- Um motivo, porra? Você quer só um motivo? Você é minha mulher!
- Sua mulher é a puta que te pariu. Eu sou minha. Estou casada com você, mas não sou sua.
- Mas, sua piranha, uma mulher casada não faz isso!
- Ah, vai você pro caralho com essas suas regras!
- Não são minhas, porra, são convenções sociais!
- Então vão a você e a sociedade pra casa do caralho!
Acho que ele ficou sem resposta, porque a discussão acabou. Continuei descendo e no segundo andar a porta da casa viado loiro do 203 estava aberta. Ele estava em frente a um armário lendo uma simpatia:
“Acenda uma vela virgem…”
Então ele puxou do armário uma embalagem de velas de sete dias, daquelas grossas, e perguntou para uma das velas:
- Você ainda não me comeu, né?
P.S.: este tempo na amazônia está uma merda. Muito mosquito!




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