E a moça do trabalho? Dia desses eu estava sentado, na escola (só esclarecendo: eu TRABALHO em uma escola e ESTUDO em uma faculdade.) ouvindo o audio-livro "Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal".
Daí vem a moça me contar que comprou um… Qual o nome? Eu chamo de JukeBox.
Então ela compro uma JukeBox para o filho, e queria saber se eu tinha alguma música para colocar no cartão de memória, para o presente chegar completo. De preferência funk dos Havaianos, que o filho gosta e ela aprova.
EU – Não, não tenho nada dos Havaianos aqui.
ELA – Mas tem funk?
EU – Olha… Funk tem… Mas só funk proibido. De sexo e tráfico.
ELA – Ah, não, tráfico não… Não fica bem uma mãe dar isso para um filho, né?
EU – É, não mesmo.
ELA – Mas… E das outras que você falou, quais você tem?
EU – Humm… Deixa eu achar… Ouve essa: "Vem, amor, bate (não pára) com o piru na minha cara"
ELA – Melhor deixar pra lá, né? Ele baixa o que ele quiser… ele já tem 22 anos, e eu achando que tenho que fazer as coisas pra ele… Ele procura as músicas que ele quiser, né?
EU – É. Mães são sempre mães.
Mas eu sou assim. Gosto de funk proibido, mesmo. A música influencia? Não sei. Durante algum tempo eu ouvia diariamente a funk "157 da Mangueira":
"Ontem tava durinho, hoje tô cheio de milhão
Se é pra roubar, neguinho, não deixo pra depois"
Ouvia muito, mesmo, e nunca roubei ninguém, apesar de sempre estar durinho. Também ouvia Meninos e Meninas, da Legião, e nunca dei.
Se eu precisasse justificar estas músicas que ouço, diria que preciso conhecer as coisas. Agora sei um pouco melhor como funciona uma falsa blitz:
"Duvida pra ver qual é, não adianta voltar de ré (…) Nós rouba Golf, Astra, Corolla e Siena, mas se tu quer reagir, tenta a sorte, experimenta (…) o bonde do 157 tá preparado pra matar quem reagir, fuzilar carro blindado. Mas se tu bater de frente com nosso bonde sagaz, joga logo em ponto-morto e passa pro banco de trás. Qu’os menor tão boladão, doidinho pra meter bala. Se tu ficar de caô vai dar um rolé no porta-malas (…) Rasgando pela Alameda (…) de pinote pra favela"
(MC Orelha – Bonde da Falsa Blitz)
Se a polícia ouvisse os funks, talvez houvesse menos roubos. Se as vítimas ouvissem os funks, talvez comprassem Gol.
Esta história seria parte integrande de um ‘balanço do ano’, mas…
- continua - ou não -




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