Coloquei assim no Facebook:
"Descobri que quem tem sensibilidade não assiste filme como Jogos Mortais. Mas para quem assistiu e lembra da cena da menina Amanda sendo jogada no buraco cheio de agulhas, vale a pena ver como a cena foi feita."
Segundo esta minha teoria quase machista, quem tem sensibilidade deveria assistir coisas como A SUPREMA FELICIDADE, o último filme de ARNALDO JABOR. Vai se dar mal.

O filme começa de um jeito cafona, mostrando o calçadão de Copacabana (?) em preto-e-branco com o título do filme em cor de arco-íris. De cara a parte ruim de se ver um filme antigo: aquela falta de cor, aquela imagem esfumaçada. Parecia um trabalho de adolescente feito usando o WordArt (do Office) e o Windows Movie Maker (do Windows XP). Ah, informação, o filme custou cerca de R$ 12.000.000,00. É bom colocar todos os zeros para tentar mostrar quanto dinheiro foi.
Conversa de duas pessoas que assistiram o filme:
- Porra, que merda, hein?
- Puta que pariu, valia mais ter enfiado o dinheiro do ingresso no cu!
- Porra, e aquela Mariana Lima, hein? Que merda de atriz! Vai ser puta!
- Dali só salvou Marco Nanini e Dan Stulbach.
- Esse menino mais novo eu não conheço; foi razoável. Mas Marco Nanini brilhou como ouro polido na lama.
- Ouro polido na lama?
- É, ele parecia ouro polido que estivesse num lamaçal.
- Ah, sim, lama pra caralho mesmo. Por falar nisso, que filminho cor-de-terra, né? Parece que o rolo caiu na poeira!
- É, muito ruim, mesmo…
- E a cena do começo do filme, eles dois transando, aquela cortina voando, o sol nascendo… Parecia filme romântico americano ou novela das oito.
- Cara, foi um mix muito grande pra mim. Muita coisa junta, muita informação jogada, jogada, mesmo. Ele não pariu nenhuma idéia. Já tinha tudo pre-definido, sua Bíblia pessoal escrita em algum papiro e esfarelou tudo na tela.
- De tudo o que eu já li do Jabor, penso que ele poderia produzir um filme muito melhor. Esse me pareceu uma pornochanchada muito, muito, muito ruim. Ele se perde, ele cria personagens que somem de repente…
- É, os personagens aparecem, a gente até acha que vai gostar deles e, de repente…
- É, cadê aquela maluca? E o amigo dele, cadê? Se foram, todos, para o mesmo buraco escuro de onde vieram. Sério, eles também não tinham começo. Ele não criou história para explicar de onde veio ninguém. Ele podia fazer uma cena em uma festa onde ele conhecesse TODAS as pessoas que um dia fariam parte da vida dele, e apareceriam no filme. Por mais absurdo que parecesse, alguma origem aquelas pessoas precisavam ter! Mas não, elas simplesmente apareciam! E depois desapareciam, como ninjas… Eram personagens de momento. Só de momento. Não tinham inicio, meio ou fim. Só passavam. Mais nada.
- É… Vamos transar pra esquecer isso?
- Ahn… Deixa ver…
E então apagaram a luz, e eu saí da janela.




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