No fim de semana passado a Globo me informou da estréia, hoje, do filme Alma Perdida. A chamada, como todas as outras, era atraente e decidi baixar o filme. “Após um misterioso pesadelo, em que é assombrada por uma criança possuída e por um feto morto, Casey Beldon (Odette Yustman) percebe estranhas mudanças em sua vida. Com a ajuda de sua avó e do rabino Sendak (Gary Oldman), Casey descobre que os eventos incomuns que estão acontecendo estão ligados ao seu passado e ao de sua família, que vem sendo perseguida por uma alma perdida em busca de um corpo em que possa se abrigar.” O filme começa com nesse clima de “eu já vi isso antes” (linha que é mantida durante os 80 minutos de exibição). Os cenários são os mesmos de todo filme de suspense dos últimos 10 anos. A coadjuvante Romey (Meagan Good) também segue o padrão: ela é igual a toda melhor amiga de todas as personagens principais de todos os filmes de suspense: uma menina que entende do sobrenatural mas que é fútil o bastante para não perceber seu objeto de estudo se materializando na vida de sua melhor amiga. E você começa a se perguntar: Isso não é suspense? Cadê os sustos? Eu respondo. O filme não é suspense. Pretende ser, mas não é. Tenta ser, mas não consegue. O primeiro grito só vai acontecer aos 16 minutos. Até lá você já trocou e-mail com seu colega de poltrona e, quem sabe, vai viver o que disse Eliézer Carneiro na sua crítica a este filme: “muitos relacionamentos começam dentro do cinema em meio a um filme ruim”. Este primeiro grito foi a tentativa desesperada do filme virar um suspense. Mas não houve ritmo depois dele. O segundo grito só acontece aos 50 minutos. Faltando 30 minutos para o fim do filme você se pergunta se tudo vai ser explicado no final ou se isso é mais uma produção estilo Lost, sem final pré-determinado. Neste ponto o diretor mudou de tática para prender a atenção do telespectador. Em vez das pernas da estrela ele tenta te envolver numa história que mistura tradição judaica e holocausto. É o momento perfeito para conhecer mais gente nova ou aprofundar o relacionamento com seu vizinho de poltrona. Chegamos então no momento O Exorcista – Século 21. Um exorcismo mal feito e mal acabado, mas que pelo menos conclui o enredo. É aquele momento “vamos sair agora para não pegar engarrafamento?”, tipo 38 minutos do segundo tempo, com seu time perdendo de 3 a 0. Se você continua no cinema, assiste a uma cena de terror psicológico: Casey descobre que está grávida de gêmeos, o que nos faz ler nas entrelinhas ‘to be continued’. Resumo da ópera: melhor ficar em casa, a não ser que você seja solteiro. Pensando bem, mesmo para os solteiros, é melhor ficar em casa, mesmo.
Minha primeira crítica cinematográfica.
Nestes primeiros minutos de filme é apresentado um dilema para o telespectador: ver a protagonista Casey vestindo apenas blusa e calcinha ou conversar com o seu vizinho de poltrona sobre outros filmes do mesmo estilo? Porque não há como não lembrar de O Chamado, por exemplo.
Para quem esperava um suspense, este intervalo significa 34 minutos de monotonia. Para quem aceitou que aquilo é um thriller psicológico, é mais meia hora de uma história não-tão-boa.




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