Na sala de aula, Johnny sentava perto da porta. Não era para ser o primeiro a sair. Era para poder olhar para o pátio durante as aulas mais chatas. E em uma aula de Literatura…
Sentada no pátio, olhando para cima, estava uma morena bonita, cabelos encaracolados presos como rabo-de-cavalo. Sua boca era o que mais chamava atenção no seu rosto. Grande. Um pouco acima do limite para que houvesse harmonia em seu rosto, mas era uma linda grande boca. E tudo era bonito: os cabelos, o rosto, mesmo desarmônico, o busto, as pernas, a bunda. Aquelas calças coladas que ela usava então… Era tentação demais. Ela tinha as letras "VI" bordadas na manga da camisa. Sexta série. Devia ter 12 ou 13 anos, mas agia como se fosse adulta.
Ela estava sentada e olhando para cima, na direção de Johnny. Mas não era para ele. Era para algum garanhão do terceiro ano, no andar de cima. Não foi para Johnny que ela se sentou de frente e abriu as pernas, tentando mostrar… Talvez o puído da região, mas ainda assim bastante insinuante. Johnny adorou ver, mas não foi para ele que ela abriu o botão superior da blusa e mostrou um pedaço do porta-seios, cor-de-pele, cor adulta.
Foi demais. Triste, desiludido, perto de chorar, ele saiu da sala e foi para a pista, onde certamente tinha gente matando aula.
Lá ele encontrou Natalia, que logo pediu para ele voltar e ir à cantina comprar balas para ela. Bem diferente do que seria esperado, ele disse:
- Ah, Natalia… Vou não.
Ela percebeu que alguma coisa tinha acontecido. Perguntou o que era, e ele foi sincero. Queria ser do terceiro ano para poder fazer sucesso com as meninas, e não tinha paciência de esperar mais dois anos e só poder aproveitar por um ano.
- Johnny, você é um cara legal. Por isso eu vou te dar duas coisas que vão te ajudar muito. Primeiro: você já fumou?
– Não.
– Dá um trago nesse cigarro aqui.
Era um Hollywood vermelho sem filtro, mas Johnny não sabia o que isso significava. Puxou, tragou e tossiu muito! Ela riu:
- Pronto, tá quase virando um veterano. Põe esse maço aqui no bolso, para todo mundo ver. Você vai chegar perto das meninas, elas vão ver que você fuma e vão pensar que você é mais velho, mais independente e mais maduro. Agora só falta uma coisa.
Natalia tirou a estrela do terceiro ano da sua blusa e pregou na blusa de Johnny. Era uma cena bonita, e deveria ter sido fotografada. Parecia uma cerimônia de formatura. Ele em pé, rígido, quase perfilado, e ela se demorando em alfinetar a estrela na blusa dele. Era um momento romântico, até. Ela fazia questão de pesar as mãos no peito dele, sentindo o pobre coração do rapaz bater rapidíssimo. Ah, os adolescentes!
E no fim da ‘cerimônia’, quando ele já se sentia um lado do corpo mais pesado do que o outro, ela deu um beijo-selinho nele. Na frente de todo mundo!
Suas colegas viram o beijo mas não ligaram. Pensaram materialmente, enquanto Johnny voltava para o prédio da escola:
- E agora, você vai ter que comprar outra estrela!
- Valeu a pena. Nunca tinha visto um sorriso tão bonito como aquele! Nem quando meu namorado tirou minha virgindade.




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