Por Airton

IERJ visto do alto. Da esquerda para a direita: pista de atletismo (1), quadra de esportes (2), piscina (3), biblioteca (4), o prédio principal (5) e, na extrema direita, o teatro (6).


Quem entra pelo portão principal do IERJ chega no quadrado que é o pátio. À frente fica o auditório. Dos lados, as salas de aula do ginásio. Johnny estava sentado em frente ao auditório, nos degraus que ligam o pátio aos corredores, e que servem de banco durante o recreio. Ele estava ali sozinho, olhando para lugar-nenhum e pensando. Ele queria contar a história recente, do banheiro, para alguém, mas não tinha nenhum amigo na nova escola.

Então ele se lembrou de Hugo, um colega de turma com quem estudava desde a segunda série. Sete anos estudando, brincando e fazendo os trabalhos escolares juntos. E agora tinham se separado. Johnny não tinha com quem falar e discutia consigo:

- Pô, seria tão bom se o Hugo estivesse aqui!

- Ih, quê isso? Ficar desejando a companhia de homem? Isso é coisa de viado!

- Ah, mas ele era legal…

- Era, mas e daí? Vai ficar com esses pensamentos de garotinha adolescente? “Seria legal se ele estivesse aqui“… Ah, vira homem, porra! Imagina se alguém ouve você pensando isso!

- Ninguém vai ‘ouvir‘ meus pensamentos. E ele era legal, mesmo. Eu conversava tanto com ele…

- É, mas agora a gente tá numa escola nova, e precisamos conhecer gente nova. De preferência mulheres! E, outra coisa: passou a época de ter coleguinhas. Agora a gente vai ter alguns amigos pra sair e beber e vai conhecer as colegiais, para pegar!

Era uma verdade indiscutível. Johnny passou os olhos pelo pátio e viu alguns grupos de adolescentes, todas elas conversando, animadas. Seu lado mais prático ganhou mais um argumento:

- Tá vendo? Cheio de mulher aqui e você pensando em homem, porra! Vamos à luta, agora que você tem a estrela do terceiro ano! É isso. Vamos parar de lembrar de coleguinhas de infância e tratar de arrumar alguns amigos e muitas mulheres.

Muitas vezes, quando a gente toma alguma decisão, a gente se mexe. Parece que à medida que o cérebro balança enquanto andamos, a idéia se fixa na massa cinzenta. Pelo menos com Johnny era assim. Ele se levantou do chão do pátio e começou a andar em direção à sala de aula.

Sozinho naquela escola imensa, sem conhecer ninguém e, o que é pior: muito incomodado com aquela coisa gay, de ficar lembrando e sentindo saudades do grande amigo do ginásio. Grande amigo… Novamente esta viadagem!

Chegou na sala de aula, se sentou no seu cantinho e então a idéia de se lançar à aventura de conhecer gente nova, se tornou perfeita: naquela escola tinha todo o tipo de gente que ele podia querer. Tinha as gostosas, nerds, bagunceiras… Logo, logo, ele teria a companhia que estava fazendo tanta falta.


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