Gente,
Sei que tem um tempo que não escrevo nada. O Brasil deve estar fervendo.
Parece que tem um ministro suspeito de enriquecimento ilícito. Mais um. Como ouvi por aí, o que Collor fez não foi nada muito além do que é feito e noticiado todo ano, o ano inteiro.
Sei que a polícia de SP baixou a porrada nos maconheiros. Eu tenho um papel social a cumprir que me impede de fazer apologia, mas posso me ater aos fatos. Será que a maconha faz mais mal do que o álcool? Quantas manchetes já houve de "homem chapado de maconha atropela passageiros no ponto do ônibus"? E quantas histórias já ouvimos de "ele saía, fumava maconha, voltava e batia na esposa"? Não faço apologia, não: acho que ninguém nunca deve experimentar nenhuma droga, o que inclui álcool e nicotina. O problema é que eu não vivo na terra Utopia, eu vivo no Brasil, no Rio. E tenho filhos, então preciso no mínimo estar atento ao que eles vão enfrentar no futuro (desculpa bonitinha para meus questionamentos sociológicos). Eu prefiro que ele viva numa sociedade onde ninguém precisa apanhar da polícia por expressar sua opinião. Mas isto já é uma discussão política.
E eu nem ia passar das 4 linhas nesta introdução. O que eu queria dizer mesmo é que eu estou como Roberto Carlos: "e que tudo o mais vá pro inferno". O Brasil, seus mendigos, quase todos negros como eu. Mas por um acaso do destino eu nasci aqui, e ele na rua. Por este acaso eu estou aqui, relativamente super-confortável e ele está ali, na porta do prédio onde este acaso fez com que eu morasse.
Um acaso. Num chacoalhar de dados ele nasceu para viver na rua, catando comida no lixo e eu nasci para fazer as famosas "três refeições" diárias e ficar pensando besteira.
Queria escrever uma coisa tão bonita, mas fui pensar nisso. Por um acaso.



