Posts Categorizados ‘crônica

19
ago
11

Certas sensações

Faz mais ou menos um mês, eu venho tentando escrever um conto, e parece que ele vai ficar bem longo. Este comprimento não tem nada a ver com o tempo que está demorando para ficar pronto, até porque eu não escrevo todos os dias, como fazem os escritores de verdade. Está demorando porque eu quase não sento para escrever, mesmo.

Além de poucas vezes abrir o texto para trabalhar sobre ele, cada vez que eu o abro fico pensando em como são diferentes um conto e uma crônica (ou pelo menos isto que eu chamo de crônica).

Uma crônica exige uma idéia boa, uma inspiração, que tem que ser desenvolvida com habilidade e muita lógica, para não pecar contra a sra. Coesão. A linha de raciocínio tem que ser mais intensa, porque se tem pouco tempo/espaço para explicar uma teoria, uma opinião.

Na minha opinião o conto não dá muita abertura para que o autor exponha suas opiniões. Para fazer isso ele precisaria se fazer passar por uma personagem, e aí fica difícil saber se o autor pensa como o padre ou como o pecador do confessionário [pensando melhor, isto é bem legal!].

Mas o conto dá uma liberdade maior. Uma liberdade de poder se levantar da cadeira, ir ao banheiro, atender quem bate à porta, ou quem chama ao telefone. Ás vezes parece mesmo necessário parar, dormir e recomeçar. Almoçar, assistir um filme e então editar um diálogo. Sair de casa, ver pessoas e ter idéias para incrementar personagens.

Numa crônica, se eu perco a concentração, parou, acabou. É como se eu estivesse transando e tocasse no rádio Caetano cantando Todo Amor que Houver Nesta Vida. Se o baianinho fizer um daqueles belos vibratos, minha atenção sai da cama e acabo broxando.

Mais complicado ainda (para mim, pelo menos) é começar uma crônica, parar, dormir e tentar retomar aquele assunto no dia seguinte. É como estar na cama, nu, acompanhado, quase entrando na portinha do paraíso e ouvir o celular tocar. Você dá aquela olhada discreta para o aparelho torcendo para ler ‘Mãe’ ou o nome de um amigo; qualquer pessoa para quem você possa ligar depois. Mas descobre que é aquela ligação que você estava esperando:

- Peraê, rapidinho, meu amor.

Quando a ligação acaba sua mulher já ligou a televisão e está com os braços cruzados, assistindo a novela. Você volta para a posição que estava e diz:

- Era aqui que eu estava?

Não dá, né? Pois é. Eu já deletei idéias razoavelmente boas e parei transas realmente gostosas simplesmente porque a cabeça divagou. Aconteceu neste texto, mesmo, num trecho que se perdeu pelo caminho das edições: parei para acender um cigarro e quando voltei… Sabe aquela sensação de ‘o que eu estou fazendo aqui’? Graças a Deus minha imaginação é boa, e consegui pegar o texto por outra ponta e aqui está ele, indo.

Meus textos, mesmo depois de ‘terminados’, sempre têm muitas pontas soltas. Pode ser uma incapacidade minha para amarrar tudo no parágrafo final, mas é uma inaptidão muito útil, se bem utilizada. Assim como no sexo, na hora de escrever uma imaginação fértil é muito importante.

Acho que eu deveria parar de escrever crônicas e passar para os contos. Além de eles me darem mais liberdade, serem menos exigentes (como uma masturbação, comparada ao sexo), ser um Manoel Carlos macho deve ser muito mais rentável do que ser um Arnaldo Jabor…

Eu ia dizer “ser um Manoel Carlos macho deve ser muito mais rentável do que ser um Arnaldo Jabor melhorado“, e ia me explicar completando com “não é pretensão, não. Jabor não é tão bom assim. A mídia promove ele. Jabor tem bastante cultura, sem dúvida, mas não tem nada de especial, como têm Machado de Assis ou Luis Fernando Verissimo, por exemplo.”

Ia dizer isto mas preferi a sincera modéstia. Por enquanto.


Este texto é um rascunho muito antigo. Muito tempo sem postar nada e resolvi lançar mão dele.

17
abr
11

O fantástico mundo real

CRIANÇA MORRE AFOGADA ENQUANTO MÃE PARTICIPA DE ORGIA

Isabel, 23 anos, saiu de casa com sua filha e disse ao marido que levaria a criança ao médico. Em vez de ir para o hospital ela foi para a casa do seu amante. Chegando lá ela era esperada pelo amante e um amigo em comum. Para terem mais privacidade, a criança ficou sentada no sofá, assistindo televisão, e os três se trancaram no quarto, de onde só saíram DUAS horas depois.

Julio, o dono da casa, foi o primeiro a sair do quarto para ir ao banheiro, quando encontrou a criança D., 2 anos, afogada na banheira.

Julio voltou para o quarto tentando esconder o nervosismo e contou a notícia a Eduardo, o amigo do casal. Eduardo começou a rir nervosamente, o que despertou suspeitas em Isabel, agora preocupada com sua filha. Eduardo estava sofrendo um ataque de risos e Julio tentava segurar Isabel.

Naquele agarra-agarra, ficaram excitados novamente e voltaram para a cama. Rapidamente Eduardo se recuperou da crise de gargalhadas e voltou a participar da diversão.

UMA hora depois, quando os homens dormiam exaustos, Isabel foi ao banheiro e viu o corpo de sua filha boiando, arroxeado na banheira.

O SAMU foi chamado mas não havia nada que pudesse ser feito. A mãe foi presa em flagrante. Os rapazes prestaram depoimento e foram liberados.





O PRIMEIRO PRÊMIO

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