“Quem me pede para eu me entregar
nunca esteve numa casa mal-assombrada à noite.
Não sabe como é difícil enfrentar seus medos”
(Eu)
O medo e sua inutilidade sempre foi um tema presente no meu bloco de notas imaginário chamado “Lista_de_temas_sobre_os_quais_quero_escrever.txt”. Se quero tanto escrever sobre isso, e posso fazer isso, por que motivo ainda não escrevi?
Não sei. Talvez não haja motivo. Nem sempre há. Apenas não senti vontade de fazer.
Vontade. Uma pequena coisa.
É, pequena. É assim que pensamos da vontade dos outros. Especialmente das vontades das crianças e daqueles adultos que rotulamos como crianças, e pensamos que são apenas mimados, porque têm uma vontade e querem fazê-la valer. Ora, criancice, querer fazer valer esta pequena coisa, esta merdinha chamada vontade.
Mas a vontade também pode mover o mundo. Ou pelo menos este mundo roda sob a força desta idéia (sem trocadilho).
Eu, particularmente, não concordo que a vontade possa mover o mundo. Eu considero a Vontade como uma deusa porque ela merece adoração, mas não acho que ela seja onipotente como devem ser (e provavelmente são) as deusas. Mas acho que está no incosciente coletivo este louvor à Vontade.
Louvam a vontade ignorando que louvor dá poder. Poder também de castigar. Ignorando dar este poder, se espantam quando sofrem o castigo da vontade de outra pessoa.
Temendo ser clichê, eu arrisco uma comparação: o povo, quando divulga a informação Marina Silva não tem chance de ganhar a eleição e a candidata menos pior é a Dilma, vamos votar nela, ignora o poder que está dando a esta ex-assaltante. Ou ex-cúmplice de assalto, o que seja. A esta ex-criminosa. Ignorando a índole da candidata, vão se revoltar com as atitudes dela depois de eleita. Não é previsão, não. Apenas conhecimento da História.
Ligando o botão ‘foda-se’ para o clichê, eu registro uma comparação que adoro fazer:
A pessoa que ignora o poder que está dando à Vontade e o povo, quando ignora a índole da candidata, são como uma pessoa que pula a cerca da área onde leu “Não se aproxime, leões ALTAMENTE famintos”.
Eu ia dizer “O povo, quando ignora a índole da candidata, é como um retardado que pula a cerca…“. Mas não posso afirmar que quem pula esta cerca é retardado. Pode ser um masoquista tentando morrer de prazer. O que não se pode é ter pena da pessoa que sabe o que vai acontecer.
A vontade, para alguns, é como o amor: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (1 Coríntios 13).
Você deve pensar quando é que vou falar do medo e de sua inutilidade. Era para ser o tema do texto e desviei o foco para a Vontade. Talvez em outro texto eu fale sobre o medo. Mas e se eu não tiver vontade?
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