Publicado em 2009.
Tive a prova definitiva de que sou viciado em computador. Vejam minha agenda:
Segunda-feira, 25 de junho:
0600hs: fui dormir, depois ficar desde 0:30hs no computador;
1400hs: acordei, liguei o computador e fiquei até…
1700hs: me lembrei que precisava sair de casa para trabalhar. Não tinha nem pensado em almoço ainda. Não tinha arroz pronto e a lasanha ia demorar uns 25 minutos entre sair do freezer, ficar quente no microondas e esfriar para eu poder comer. Saí sem almoçar.
Terça-feira, 26 de junho:
0110hs: Cheguei em casa, liguei o PC e fui preparar meu almoço: três sanduíches de maionese, queijo e peito de peru (não como presunto porque é muito calórico e eu tenho que manter a forma!rs). Só então me lembrei do caldeirão de feijão que tinha sido preparado no sábado de manhã (umas SESSENTA horas antes) e que ainda estava em cima do fogão, ‘esfriando’:
- Ai, meu Deus, será que estragou, tudo isso?
Não deu outra. Eu devo ser um idiota. Não só por ter deixado estragar, isso acontece. Idiota por ter corrido para o Google perguntar “o feijão estragou e agora”. A resposta [que só agora me parece] óbvia é aquela que rima: ‘pega tudo e joga fora’.
Foi tão triste. O feijão cheirava tão bem no sábado… Cheiro de paio, carne seca… Só faltou o coentro, mas estava quase perfeito!
Não achei a salvação e o feijão ficou estragado, mesmo. Mas descobri algumas coisas bacanas para me animar, e espero que vocês gostem, também.
Uma das respostas para minha pesquisa foi a página ‘Coisas que deram merda’, da Desciclopédia (uma ‘paródia’ da Wikipédia). Neste verbete lembrei da derrota da seleção brasileira em 2006, para a França. Na verdade, nossa história contra a França vem de 1998, e fui rever trechos destes dois jogos no Youtube. É estranho reviver aquela vergonha, mas aquilo aconteceu. Convulsionado ou não, Ronaldo jogou (e mal), e o Brasil perdeu.
Esta página da Desciclopédia mostra, na sessão Teoria da Conspiração, fatos (engaçados) que sustentam a hipótese de que fatores extra-campo definiram o resultado daquele jogo.
Verissimo também falou sobre isso:
Nos campeonatos mundiais organizados pela Fifa acontece a mesma coisa: para aproveitá-los, você precisa fingir que os manipuladores não existem, ou são apenas recursos cênicos neutros. Fica cada vez mais difícil ignorar a presença dos vultos negros movendo os atores e os cenários do futebol internacional. Suspeitas de corrupção na Fifa e a crescente influência das megaempresas de artigos esportivos e outras multinacionais na organização dos campeonatos, e de empresários do mercado de jogadores nas decisões da entidade requerem um esforço cada vez maior do público para se concentar no espetáculo e fazer de conta que não tem mais ninguém no palco.
É curioso como as nossas esperanças são retiradas da gente. No futebol, foi isso, dentre outras coisas (árbitros e resultados de jogos comprados, por exemplo). Na política, depois de alguns presidentes que representavam a burguesia, elegemos um ex-trabalhador, ex-sindicalista, que agora só pensa em dar vantagens aos banqueiros e ‘sodomizar os trabalhadores’ (adorei esta expressão!). Por falar em banqueiros…
Vejam como é esquisito: imagine que João deposita R$ 1.000,00 na poupança. O banco pega este dinheiro e empresta para Maria. Trinta dias depois, Maria paga o empréstimo: R$ 1.049,00 (pela taxa mais baixa, segundo globo.com). Agora o banco tem de volta os R$ 1.000,00 que emprestou e mais o lucro. Um minuto depois José resgata os R$ 1.000,00 dinheiro que depositou e o rendimento a que tem direito: R$ 1.005,46.
Quem empresta recebe o lucro e quem deposita na poupança recebe o rendimento. A princípio, nada mais justo. O absurdo é a diferença. O banco ganhou R$ 43,54 apenas por existir. Este não é o valor que ele recebe para funcionar (nem relógio trabalha de graça, blablabla). Para isto existe o IOF, (imposto sobre operações financeiras). Este lucro foi gratuito.
Já que o valor é esse, por que o governo não proíbe que bancos particulares emprestem dinheiro? Se só os bancos estatais pudessem fazer isso, esta fortuna iria para o governo e uma parte disso voltaria para o povo (doce ilusão!).
Curioso, não? Os bancos geram empregos? Geram. Pagam impostos para o governo? Pagam. O povo também! A diferença é que o povo precisa trabalhar cerca de 5 meses para pagar impostos enquanto os bancos ganham cerca de 4% de tudo o que emprestam
Gente, cuidado. Lula quer eleger Dilma!
Aqui está o livro do Verissimo com um texto que fala sobre a final da Copa de 2002.
Textos Nada Escolhidos – Luís Fernando Veríssimo
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