Posts Categorizados ‘mulher

28
nov
11

Sm@ck!

E ela era linda, mesmo. Tinha cabelos pretos, que iam até algum lugar entre o ombro e a cintura.
O rosto, lisinho, todo combinando, e a boca…

Era aquilo que Paulinho mais queria. A boca de Luciana…

Aquela fantasia começou quando ele estava subindo pelas escadas

e ia chegando no andar onde ela morava Luciana,

e ouviu barulho de beijos.

Parou, poucos degraus antes de chegar no andar dela
e escutou.
Eram beijos de despedida. Longos.
Ele ouviu uma voz:
– Tchau.
E a resposta:
– T.chau.
A porta fechou.
Os passos chegaram mais perto da escada
mas pararam na porta do elevador.
Silêncio, mas provavelmente o botão tinha sido
apertado.
Silêncio.

Quando o elevador chegou, Paulinho ouviu a voz de mulher dizer:
– Puta que pariu, que beijo gostoso!

E a porta do elevador se fechou.

26
nov
11

Fragmentos – em construção

CENÁRIO: Uma rua residencial de um bairro tranquilo da zona norte do Rio de Janeiro. Crianças brincando, vizinhos sentados pela calçada, conversando. Alguns homens bebem em pé no que parece um balcão de um bar, mas pode ser o batente da janela de uma casa; é difícil definir. Uma casa toca samba e faz churrasco.

Na casa ao lado desta, um casal discute. A briga já dura algumas horas. Eles sempre brigam, e ninguém mais presta muita atenção. Só quando algum trecho da discussão é mais interessante, como:

ELE – Todo mundo já sabe que você tá dando pr’aquele seu amigo que te trouxe pra casa aquele dia. Eu não sei por que ainda não enfiei a mão nessa sua cara, sua piranha!

ELA – Você nunca consegue meter nada, acha que vai conseguir meter a mão na minha cara?

Então a vizinhança gritava “corno” e “broxa”. O pessoal que dizia ‘corno’ marcava o tempo e o pessoal que dizia ‘broxa’ marcava o contratempo, quase no ritmo do samba que tocava no churrasco. Fora isso, ninguém prestava atenção.

Outro momento de interesse foi quando, de repente, os vizinhos tiveram um susto com um pequeno vulto preto voando de dentro daquela casa e fazendo barulho ao cair na calçada. Preocupadas, curiosas e tentando se proteger d’algum novo disparo, algumas crianças foram ver o que tinha sido jogado. E de lá gritaram:

- É um celular!

Uma, mais nerdzinha, detalhou:

- Um chinês de quatro chips!

E de dentro da casa:

ELA – O quê você fez?

ELE – Joguei aquela porra fora. Se alguém quiser falar com você, pode ligar aqui pra casa. Quero falar umas verdades pr’aquele seu amigo. E a partir de hoje, só eu atendo telefone aqui!

ELA – Eu não acredito; você fez o quê?

ELE (gritando) – Joguei aquela merda de celular fora, sua velha surda! Entendeu agora? Quer quatro chips pra quê? Pra falar com todo mundo? Pra dar pra mais gente?

Um barulho na varanda da casa. Os dois foram olhar e viram que algum vizinho tinha jogado o celular de volta para dentro da casa. Com os muros altos, não dava para ver quem tinha sido. Ela pegou o celular e foi para a calçada tomar satisfações:

ELA (gritando) – Quem fez essa porra?

Ninguém respondeu nada. Quando ela se deu conta do vexame, tentou voltar para casa, mas seu marido tinha fechado o portão. Do lado de dentro, ele ria:

ELE (gritando) – Pula o muro, sua vagabunda! Já sabe pular a cerca, agora pula o muro, vadia! Piranha! E vem logo que eu vou colocar fogo em todas essas suas roupas de prostituta!

ELA (gritando) – Eu vou chamar a polícia!

Foi até a vizinha do lado e pediu para usar o telefone.

Quando a polícia chegou…

- continua -




O PRIMEIRO PRÊMIO

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