Posts Categorizados ‘Natal

24
dez
11

Medo

De um garoto de 8 anos para um velhinho.

GAROTO – Mas por que você não ______________?
VOVÔ – Tenho medo de _________________. (pode preencher isso com qualquer coisa)
G – Desculpa, mas você não está um pouco velho pra ter medo?
V – Pode-se ser velho para muitas coisas, mas não para o medo.
G – Isso é verdade. Sempre tive medo do porão. É escuro, tem coisas estranhas e tem um cheiro esquisito. Esse tipo de coisa. Tive medo durante anos. Resolvi ir até lá para lavar umas roupas, e descobri que não é tão ruim. Se acender a luz, vai ver que não tem nada.
V – Aonde quer chegar?
G – Deveria fazer.
V – E se …?
G – Pelo menos vai descobrir. E vai parar de se preocupar. Nunca mais vai precisar ter medo.
V – …

Às vezes a gente fica sem resposta, mesmo, né? Talvez valha a pena arriscar um pouco mais em alguns momentos. Talvez.


Quem falou isso foi o Macaulay Culkin no filme Esqueceram de Mim 1, que é uma prova empírica de que filme legendado é melhor do que dublado.

Os filmes recentes, desde Pânico (1996) parecem ser criados para serem sequência. Uma história contada em partes.

Como os seriados, que são uma história contada em x episódios, agora a história é contada em x filmes.

Se cada filme não é uma história em si, mas sim parte de uma história maior, será que não há uma Grande Idéia sendo divulgada através de TUDO isso?

19
dez
11

Um Cadiquinho de… Desce a Letra

Escrevendo, rapidinho, atrasado, só porque…

  • tem muito tempo que não escrevo nada.
  • e gostei muito deste vídeo

De repente também eu, no novo ano, decido escrever de um jeito menos pomposo.

Menos beleza e mais conteúdo.

Ou não, como sempre gostamos (Caetano e eu) de dizer.

Eu tenho uma semelhança cultural/ideológica com Caetano, e você?

Prefere dizer que não gosta de Caetano, e vive semelhanças culturais/ideológicas com… Belo, que tem uma outra semelhança social com Caetano: esteve preso. Por motivos bem diferentes, em épocas diferentes… Mas semelhanças?

Eu tenho uma semelhança com Bill Gates: escrevo em código html. E daí?

#merda

Então, tem gente que diz que não conhece vlog. Talvez não esteja ligando o nome. Vlog é esse tipo de vídeo como aqui embaixo. Escolhi este como modelo pela época, e pelo conteúdo.

Muito bom!

27
dez
10

Natal no Rio

Tijuca, Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 2010, cerca de 19:00hs. Peguei um ônibus em direção à Lagoa para ver a árvore de natal. Programa de pessoas tristes e solitárias. Ou apenas pessoas sem um programa melhor, como um casal jovem e suas filhas gêmeas que estavam no mesmo ônibus.

Não gosto muito de crianças, mas uma delas me chamou a atenção> Ficou olhando para mim e sorrindo durante boa parte da viagem.

Este casal e as crianças desceram do ônibus. No ponto seguinte, desci eu. Desci e andei para trás. Eles tinham descido e estavam andando para a frente, então nos encontraríamos entre um ponto e outro.

No caminho entre eles e eu apareceu um homem. Estava de costas para mim, falando com o casal. Vi o brilho da pistola na sua mão e então o pai-de-família levantou sua única mão livre; a outra mão segurava sua filha.

Este foi um daqueles momentos em que se consegue prever o futuro: o bandido levaria tudo que lhe interessasse e todos continuariam seu caminho, eu fazendo cara de ‘é a vida…’ quando passasse por eles e eles fazendo cara de ‘lá se foi nosso Natal’.

Por segurança eu estava voltando de costas, bem devagar, olhar fixo na ação.

Com uma mão o bandido apontava a arma para a cabeça do marido. Com a outra mão, entre revistar um bolso e outro da bermuda da mulher, fez um carinho que queria dizer "que bundão, hein?". Ela se assustou e seu marido tentou evitar aquele abuso: pô, roubar a gente, tudo bem, mas passar a mão na bunda da minha mulher é demais!

Nesta hora ouvi um disparo. O homem caiu no chão. Por cima do seu corpo, sua filha. Sua mulher gritou, e ainda segurando a criança se jogou sobre o marido morto gritando ‘não’. Mais dois disparos e o bandido, que não tinha me visto, saiu correndo em frente. Este é o nosso natal.

Na hora me lembrei da música “tá lá um corpo estendido no chão…”. Passei pelos corpos cantarolando esta canção e vi as crianças engatinharem em volta dos cadáveres. Já estava alguns metros adiante quando me lembrei do relógio que tinha visto no braço do homem. Um Tag Heuer (que depois descobri ser falso) bem bonito, que chamava a atenção. Ele não ia mais precisar. Eu sim. Peguei para mim e fui ver a árvore. Este é o nosso natal.




O PRIMEIRO PRÊMIO

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