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10
nov
11

Egocentrismo ou Exibicionismo? IDiota.

Ela acordou e disse: hoje vai ser um dia DAQUELES.

Tomou banho, vestiu o uniforme e foi para o trabalho.

No caminho, tudo parecia normal. Exceto pela sensação muito pessoal que ela trazia dentro de si.

Esta sensação, esta camada de poeira era relevante. A ansiedade e a tensão eram como pó ácido pairando sobre seus nervos. E seus neurônios. A corrosão acontecia o tempo todo.

Cada dia, todo dia, o dia todo, sem parar, corroía. Como um sábado e um domingo de chuva, sabe, bem chato? Só que nela era chuva ácida, todos os dias da semana, sem folga, férias ou feriado.

Mas, estava ela indo trabalhar. No ônibus, ali, tudo tão normal quanto podia ser.

De repente, um ponto antes de onde costumava descer, ela percebeu que o tráfego estava mais lento. Olhou pela janela e viu AQUELA fila de gente: "é, fudeu".

Mas, vamos que vamos. Ela já desce por ali, com o ônibus parado no engarrafamento. Se encosta na parede, fugindo das outras pessoas que passam apressadas. Respira fundo, pega um cigarro na bolsa, procura o isqueiro, acende o cigarro e apressa seu processo de morte.

E vai andando e fumando. Como um boi indo para o abate.

Como ia fumando, podemos dizer que vai andando como um Dragão-de-Komodo

E vai vendo a fila, e respirando, bufando, baforando.


A história terminava aqui. A continuação é:

Chegou no seu trabalho e começou a repetição:

"Empresa X, Fulana, bom dia. Qual é o seu nome, por favor?"

Durante as seis horas aquele headset pesava muito. A cabeça doía, mesmo, no fim do dia.

Saía do prédio onde trabalhava e ia para o ponto de ônibus, cabisbaixa, quando sentiu um alívio súbito!

Sua cabeça parou de doer. A bolsa não pesava no ombro. A calça não estava apertada, assim como os sapatos. Ela se sentiu… Leve.

Era uma pluma, apenas, sendo carregada pela brisa calma…

E o vento levou… Esta pluma até a porta de um bar. Que vento matreiro! Ela entrou no bar e pediu uma cerveja. Precisava beber algum líquido para tomar seu comprimido de aspirina. A cabeça não doía mais, mas uma aspirina depois do trabalho era sempre bom.

A Brahma estava geladíssima. Perfeita para aquele calor. Do seu lado, no balcão, encostou um rapaz pedindo um maço de cigarros. Era estranho uma mulher, ali, encostada no balcão bebendo uma cerveja, sozinha, e ele olhou para ela. Seus olhares se cruzaram. Não como num filme, não. Como na vida real, no cotidiano, mesmo.

Seus olhos se encontraram e… Ambos ficaram desconcertados. Ela olhou para baixo, muito interessada no joelho e na coxinha, e ele olhou para a frente, de repente confuso sobre qual cigarro fumava todos os dias. Ele conseguiu lembrar, fez a troca dinheiro-produto e ela já olhava fingidamente distraída para a rua.

Ele saiu do bar e sabia que estava no campo de visão dela. Sabia que ela estava olhando para sua bunda, numa inversão de papéis.

Ele demorou e fez charme para acender o cigarro. Tragou fundo (o equivalente a ‘respirou fundo’, para um fumante), criou coragem e foi falar com ela:

- Oi, eu… posso te acompanhar nesta cerveja e a gente divide a conta? É que beber sozinho pode ser meio chato… E eu também…
– Tá, tudo bem, essa tá paga, já. Beber sozinha é chato mesmo!
– Obrigado. Você trabalha aqui na … , né?
– Como…
– Não, não, não fica assustada! É só que você esqueceu de tirar o crachá!
– Ah [risos], isso, claro! Puxa, eu levei um susto, agora!
– Não, moça, calma… Eu só quero ser e fazer companhia para esta cerveja!
– Sim, desculpa, mas hoje em dia…
– Tudo bem. Eu li no seu crachá que seu nome é…
– [risos] Isso mesmo. E o seu?
– … Eu trabalho aqui perto, também. E também acho que uma cerveja é uma ótima bebida para o fim do dia. De vez em quando você também faz isso?
– Não, é a primeira vez. Agora há pouco eu tive uma sensação estranha… Me senti tão bem que… Quando vi, tava aqui, na porta do bar, meio perdida… Aí eu pedi uma cerveja e logo depois você apareceu.
– Olha que curioso! E eu estou procurando cigarro faz três quarteirões! Só achei aqui! Daí te vi e… E achei interessante tomar ‘meia’ cerveja! [risos]


Continua. Ou não.


Idiota = Pretensioso, afetado.

18
mai
11

Filme Waking Life

Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem tem longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas." (Wikipédia)

Trecho de 1 minuto e 45 segundos do filme Waking Life:

"A criação vem da imperfeição.

Parece ter vindo de um anseio e de uma frustração.

É daí, eu acho, que veio a linguagem.

Quero dizer, veio do nosso desejo de transcender o nosso isolamento e de estabelecer ligações uns com os outros.

Devia ser fácil quando era uma questão de mera sobrevivência.

"Água". Criamos um som para isso.
"Tigre atrás de você!"
Criamos um som para isso.

Mas fica realmente interessante, eu acho, quando usamos esse mesmo sistema de símbolos para comunicar tudo de abstrato e intangível que vivenciamos.

O que é "frustração"? Ou o que é "raiva" ou "amor"?

Quando eu digo "amor", o som sai da minha boca e atinge
o ouvido de outra pessoa. Viaja através de um canal labiríntico em seu cérebro,
através das memórias de amor ou de falta de amor.

O outro diz que compreende, mas como sei disso?

As palavras são inertes. São apenas símbolos. Estão mortas. Sabe?

Tanto da nossa experiência é intangível! Tanto do que percebemos é inexprimível. É indizível.

E ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros, e sentimos ter feito uma ligação, e termos sido compreendidos, acho que temos uma sensação quase como uma comunhão espiritual.

Essa sensação pode ser transitória, mas é para isso que vivemos."

Waking Life. 98 minutos de questionamentos. Novidades. A vanguarda. Assistam. O filme é assim, meio-filme meio-desenho, muito interessante:

Trailer

Crítica Telecine:

01
set
10

O feijão estragou. E agora?

Publicado em 2009.

Tive a prova definitiva de que sou viciado em computador. Vejam minha agenda:

Segunda-feira, 25 de junho:

0600hs: fui dormir, depois ficar desde 0:30hs no computador;
1400hs: acordei, liguei o computador e fiquei até…
1700hs: me lembrei que precisava sair de casa para trabalhar. Não tinha nem pensado em almoço ainda. Não tinha arroz pronto e a lasanha ia demorar uns 25 minutos entre sair do freezer, ficar quente no microondas e esfriar para eu poder comer. Saí sem almoçar.

Terça-feira, 26 de junho:

0110hs: Cheguei em casa, liguei o PC e fui preparar meu almoço: três sanduíches de maionese, queijo e peito de peru (não como presunto porque é muito calórico e eu tenho que manter a forma!rs). Só então me lembrei do caldeirão de feijão que tinha sido preparado no sábado de manhã (umas SESSENTA horas antes) e que ainda estava em cima do fogão, ‘esfriando’:
- Ai, meu Deus, será que estragou, tudo isso?

Não deu outra. Eu devo ser um idiota. Não só por ter deixado estragar, isso acontece. Idiota por ter corrido para o Google perguntar “o feijão estragou e agora”. A resposta [que só agora me parece] óbvia é aquela que rima: ‘pega tudo e joga fora’.

Foi tão triste. O feijão cheirava tão bem no sábado… Cheiro de paio, carne seca… Só faltou o coentro, mas estava quase perfeito!

Não achei a salvação e o feijão ficou estragado, mesmo. Mas descobri algumas coisas bacanas para me animar, e espero que vocês gostem, também.

Uma das respostas para minha pesquisa foi a página ‘Coisas que deram merda’, da Desciclopédia (uma ‘paródia’ da Wikipédia). Neste verbete lembrei da derrota da seleção brasileira em 2006, para a França. Na verdade, nossa história contra a França vem de 1998, e fui rever trechos destes dois jogos no Youtube. É estranho reviver aquela vergonha, mas aquilo aconteceu. Convulsionado ou não, Ronaldo jogou (e mal), e o Brasil perdeu.

Esta página da Desciclopédia mostra, na sessão Teoria da Conspiração, fatos (engaçados) que sustentam a hipótese de que fatores extra-campo definiram o resultado daquele jogo.

Verissimo também falou sobre isso:

Nos campeonatos mundiais organizados pela Fifa acontece a mesma coisa: para aproveitá-los, você precisa fingir que os manipuladores não existem, ou são apenas recursos cênicos neutros. Fica cada vez mais difícil ignorar a presença dos vultos negros movendo os atores e os cenários do futebol internacional. Suspeitas de corrupção na Fifa e a crescente influência das megaempresas de artigos esportivos e outras multinacionais na organização dos campeonatos, e de empresários do mercado de jogadores nas decisões da entidade requerem um esforço cada vez maior do público para se concentar no espetáculo e fazer de conta que não tem mais ninguém no palco.

É curioso como as nossas esperanças são retiradas da gente. No futebol, foi isso, dentre outras coisas (árbitros e resultados de jogos comprados, por exemplo). Na política, depois de alguns presidentes que representavam a burguesia, elegemos um ex-trabalhador, ex-sindicalista, que agora só pensa em dar vantagens aos banqueiros e ‘sodomizar os trabalhadores’ (adorei esta expressão!). Por falar em banqueiros…

Vejam como é esquisito: imagine que João deposita R$ 1.000,00 na poupança. O banco pega este dinheiro e empresta para Maria. Trinta dias depois, Maria paga o empréstimo: R$ 1.049,00 (pela taxa mais baixa, segundo globo.com). Agora o banco tem de volta os R$ 1.000,00 que emprestou e mais o lucro. Um minuto depois José resgata os R$ 1.000,00 dinheiro que depositou e o rendimento a que tem direito: R$ 1.005,46.

Quem empresta recebe o lucro e quem deposita na poupança recebe o rendimento. A princípio, nada mais justo. O absurdo é a diferença. O banco ganhou R$ 43,54 apenas por existir. Este não é o valor que ele recebe para funcionar (nem relógio trabalha de graça, blablabla). Para isto existe o IOF, (imposto sobre operações financeiras). Este lucro foi gratuito.

Já que o valor é esse, por que o governo não proíbe que bancos particulares emprestem dinheiro? Se só os bancos estatais pudessem fazer isso, esta fortuna iria para o governo e uma parte disso voltaria para o povo (doce ilusão!).

Curioso, não? Os bancos geram empregos? Geram. Pagam impostos para o governo? Pagam. O povo também! A diferença é que o povo precisa trabalhar cerca de 5 meses para pagar impostos enquanto os bancos ganham cerca de 4% de tudo o que emprestam

Gente, cuidado. Lula quer eleger Dilma!

Aqui está o livro do Verissimo com um texto que fala sobre a final da Copa de 2002.

Textos Nada Escolhidos – Luís Fernando Veríssimo




O PRIMEIRO PRÊMIO

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