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03
jan
11

Carnaval 2011

Diz-se que a escola de samba começa a ganhar o Carnaval no setor 1, levantando a platéia. Eu discordo. Acho que a escola começa a ganhar o Carnaval no lançamento do disco com os sambas do ano.

Antes de tudo quero avisar que sou um mero chato falando sobre um assunto do qual não sei muita coisa.

Quem me conhece já deve ter ouvido esta história umas dez vezes. Agora vou contar para quem não me conhece:

Dezembro, 1996. Fazia pouco tempo que o aparelho de CD tinha chegado aqui em casa. Acho que tinha sido naquele ano mesmo. Um dos primeiros discos (CDs) que tivemos foi o de sambas do carnaval de 1997.

Onze, quase doze anos de idade. Não tinha muita coisa para fazer e fui ouvir os sambas. Não gostava de carnaval, mas naquela tarde eu certamente não tinha NADA para fazer.

Foi então que me apaixonei pela Viradouro. Primeiro me encantei com o samba. Quando descobri que a escola não ganhava muitos títulos, decidi torcer por ela. Já era botafoguense, então estava acostumado a perder.

Minha mãe (crente quase fanática) ODIOU o fato de eu cantar música que falava em Big-Bang, Mãe Iemanjá – deusa das águas, Nanã (quem-quer-que-seja), mamãe Oxum e salamandra a dançar no fogo (que realmente não são temas ou cenas agradáveis para uma criança).

Apesar de mamãe, em 1997 a Viradouro ganhou o carnaval. Para quem não lembra, foi o ano em que surgiu a paradinha com ritmo de funk.

E então, um morador da Tijuca, família portelense, vira fã da Viradouro, sem nunca ter ido a Niterói. Torcedor da Viradouro e simpático à Porto da Pedra.

Doze anos de idade, Viradouro campeã e eu comecei a achar que tinha dom para descobrir escolas que seriam campeãs, só pelo samba do ano.

Hoje, burro velho, ainda não sei se tenho ou não este dom. Nunca mais prestei atenção em nenhum samba antes do carnaval. Mas quero mudar isso. Procurei na WEB, baixei, ouvi e critico: Sugestão de download: CD Sambas-de-enredo 2011, do site degracaemaisgostoso.org. Vale a pena estar com a letra dos sambas na ponta da língua para cantar durante o desfile ou nos blocos de rua. Estas são as minhas opiniões, na ordem das faixas do disco:

  1. UNIDOS DA TIJUCA, atual campeã, com o combustível moral e o desafio de manter o título, fala sobre o cinema. Um bom samba sobre um bom tema.
  2. GRANDE RIO falando sobre a cidade de Florianópolis (SC). Mais um samba que tem uma cidade como enredo; mais uma cidade que tem um samba em sua homenagem. Homenagem porque a cidade é bonita? Não. Qualquer cidade pode ter um samba em sua homenagem. Basta pagar o bastante.
    Mas não sei até que ponto vale a pena. Fazer um BOM samba sobre uma cidade que não tem NADA a ver com o samba é um trabalho MUITO difícil. E os senhores Edispuma, Licinho Jr., Marcelinho Santos e Foca, autores de “Y-JURERÊ MIRIM – A Encantador Ilha das Bruxas (Um conto de Cascaes)” não conseguiram fazer este tal ‘bom samba’.
  3. BEIJA-FLOR escolheu Roberto Carlos, mais um tema que não tem nada a ver com o samba. Muitos cantores de diversos ritmos já passearam pelo samba, inclusive pela Casa de Samba. O fresco-rei já apareceu por lá? Por que não falar de alguém MAIS relacionado ao mundo do samba? Acho que o fresco-rei já está cansado de babação-de-ovo
  4. VILA ISABEL. Azul e branca, como a Portela, faz um samba que parece se sustentar apenas sobre a tradição da escola. Que não é tão grande… O tema é o cabelo. Com direito a referência à história de Sansão e Dalila. Não preciso comentar.
  5. SALGUEIRO fez bem diferente da Grande Rio. Escolheu falar sobre o Cinema no Rio de Janeiro. Um samba bem-feito sobre um tema duplamente bom. Não empolga de cara (era só o que faltava para eu prever mais um título para o bairro Tijuca), mas como um bom vinho, pode madurar até o desfile. Se madurar, ninguém segura a Academia do Samba: “O cenário é perfeito”.
  6. MANGUEIRA mas uma escola com um samba fraco sobre um tema maravilhoso: Nelson Cavaquinho. O samba é razoável, sim, mas sobre um tema como este, TINHA de ser um samba MUITO melhor. Triste ver uma escola como a Mangueira com um samba tão mediano.
  7. MOCIDADE… Em 2010 a Unidos da Tijuca venceu o carnaval com o segredo da sua comissão de frente. Este ano a Mocidade escolheu fazer um enredo sobre um segredo. Qual segredo? “Não se sabe”
    Este samba pode estar falando sobre o vento, o amor, a liberdade, as festas, o samba, o carnaval… Será que a Mocidade quer manter segredo até entrar na avenida? A julgar pelo título, “Parábola dos Divinos Semeadores”, pode ser.
    Apesar de tudo isso, se quero arriscar em um refrão que levante o setor 1 e arrepie a Sapucaí, é este:
    “Tá todo mundo aí??? Levanta a mão
    Quem é filho desse chão
    Chegou a Mocidade fazendo a alegria do povo
    Meu coração vai disparar de novo”.
  8. O tema é chato, mas o melhor que se pode tirar deste carnaval é este refrão.

    Se quiser se lembrar da comissão de frente da Tijuca-2010:

  9. IMPERATRIZ tem outro refrão com condições de contagiar, quando fala, bem, sobre a medicina:

    “É a minha escola a me chamar, doutor!
    Posso ouvir no som da bateria,
    O remédio pra curar a minha dor!
    Eu quero é sambar!
    A cura do corpo e da alma no samba está!
    Sou Imperatriz, sou raiz e não posso negar:
    Se alguém me decifrar
    é verde e branco meu DNA!”.

    Um bom samba. Um dos melhores do ano. Meu candidato a Estandarte de Ouro e a nota 10 de todos os jurados. Quem interpreta é Dominguinhos do Estácio, que cantou o samba que deu o tal título de 1997 à Viradouro e que tem o nome da Estácio, escola mais próxima da minha casa, e que este ano desfila no Grupo de Acesso com a Viradouro. Um carnaval histórico, eu diria. Pena que seus sambas sejam tão medíocres.

  10. PORTELA traz um samba tradicional, como a escola. Parece que a escola se sustenta na sua tradição e não se preocupa em apresentar um bom samba. Escolheu o tema mar, que não é ruim, e fez um trabalho razoável. Bom samba, mas sem graça. Sem-sal, por assim dizer.
  11. PORTO DA PEDRA parecia saber que eu faria esta crítica e traz um samba sobre a escritora Maria Clara Machado. Não posso deixar de ser corporativista.

    Como algumas escolas já fizeram no passado (falando sobre Monteiro Lobato, por exemplo), o Tigre defende um samba sobre livros infantis, um tema indiscutivelmente simpático. Como a Portela, fizeram um bom samba com um bom trabalho sobre um bom tema.
  12. UNIÃO DA ILHA faz um samba misterioso sobre “O Mistério da Vida”. Bom samba, como é tradição da escola.
  13. SÃO CLEMENTE, com sua postura bairrista, elitista e escrota (burguesa, em resumo), canta a Zona Sul do Rio de Janeiro. Sabe quando o Bonequinho d’O Globo se levanta e vai embora da sala do cinema? Pois é. Usou um tema maravilhoso e conseguiu fazer um trabalho tão ruim que o samba ficou ruim. Sem mais comentários.
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Como disse um colega, “é o tipo de carnaval em que vou precisar ouvir o disco umas quarenta vezes para conseguir decorar um refrão”.

02
mai
09

Minha missão – João Nogueira

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De Um Cadiquinho de Cada

Essa música passou a fazer sentido para mim depois de escrever Love is blind. É curiosa a comparação de acabar de escrever com acabar de receber um santo. Um alívio quase físico, a necessidade de tomar um banho, se ‘livrar’ totalmente daquele peso. Como diz um dos comentários, foi uma noite e uma tarde tentando fazer aquelas idéias saírem da cabeça para o papel, e quando terminou, eu me sentia como se tivesse deixado de ser um cavalo. Que Deus continue me livrando, mas a sensação foi essa.

Com todo o nojo que eu sinto de espíritos ‘inferiores’, sentir isso é como sentir a morte dentro de mim.

Mas é um mal necessário; um vício que preciso sustentar. Desde que comecei a escrever, às vezes me sinto mal quando não tenho idéias ou quando não consigo expressar as poucas que tenho.

Cada um se expressa como pode. João Nogueira brincou no campo da música. Eu vou dando minhas cabeçadas na literatura.

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Quando eu canto é para aliviar meu pranto
E o pranto de quem já tanto sofreu
Quando eu canto estou sentindo a luz de um santo
Estou ajoelhando aos pés de Deus
Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
Acendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz
Do poder da criação sou continuação
E quero agradecer
Foi ouvida a minha súplica
Mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão,
tem força de oração
E eu cumpro o meu dever
Aos que vivem a chorar
Eu vivo pra cantar e canto pra viver
Quando eu canto a morte me percorre
E eu solto um canto da garganta
E a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre canta




O PRIMEIRO PRÊMIO

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