De repente também eu, no novo ano, decido escrever de um jeito menos pomposo.
Menos beleza e mais conteúdo.
Ou não, como sempre gostamos (Caetano e eu) de dizer.
Eu tenho uma semelhança cultural/ideológica com Caetano, e você?
Prefere dizer que não gosta de Caetano, e vive semelhanças culturais/ideológicas com… Belo, que tem uma outra semelhança social com Caetano: esteve preso. Por motivos bem diferentes, em épocas diferentes… Mas semelhanças?
Eu tenho uma semelhança com Bill Gates: escrevo em código html. E daí?
#merda
Então, tem gente que diz que não conhece vlog. Talvez não esteja ligando o nome. Vlog é esse tipo de vídeo como aqui embaixo. Escolhi este como modelo pela época, e pelo conteúdo.
Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem tem longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas." (Wikipédia)
Trecho de 1 minuto e 45 segundos do filme Waking Life:
"A criação vem da imperfeição.
Parece ter vindo de um anseio e de uma frustração.
É daí, eu acho, que veio a linguagem.
Quero dizer, veio do nosso desejo de transcender o nosso isolamento e de estabelecer ligações uns com os outros.
Devia ser fácil quando era uma questão de mera sobrevivência.
"Água". Criamos um som para isso.
"Tigre atrás de você!"
Criamos um som para isso.
Mas fica realmente interessante, eu acho, quando usamos esse mesmo sistema de símbolos para comunicar tudo de abstrato e intangível que vivenciamos.
O que é "frustração"? Ou o que é "raiva" ou "amor"?
Quando eu digo "amor", o som sai da minha boca e atinge
o ouvido de outra pessoa. Viaja através de um canal labiríntico em seu cérebro,
através das memórias de amor ou de falta de amor.
O outro diz que compreende, mas como sei disso?
As palavras são inertes. São apenas símbolos. Estão mortas. Sabe?
Tanto da nossa experiência é intangível! Tanto do que percebemos é inexprimível. É indizível.
E ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros, e sentimos ter feito uma ligação, e termos sido compreendidos, acho que temos uma sensação quase como uma comunhão espiritual.
Essa sensação pode ser transitória, mas é para isso que vivemos."
Waking Life. 98 minutos de questionamentos. Novidades. A vanguarda. Assistam. O filme é assim, meio-filme meio-desenho, muito interessante:
Não sei se vocês imaginam, acreditam ou dão a mínima, mas escrever me traz cultura. Talvez inútil, mas conhecimento. Alguma coisa que ia escrever me levou ao Restart no YouTube. Na metade do vídeo fiquei pensando o quê eu poderia tirar de bom dali. Pensei, pensei, e o melhor que consegui ver foi ‘usar uma calça laranja’. Para vocês verem qual é a qualidade da coisa.
Até que me lembrei de um pensamento que passou na minha cabeça: estou vivendo uma re-adolescência. Os problemas, conflitos, e tudo o mais. Talvez seja o momento de, finalmente, ler "O Apanhador no Campo de Centeio". Um livro que fala de um adolescente e de sua crise, mas que foi escrito por um adulto. Um dos méritos do livro, segundo crítica que li, é justamente o fato de um velho ter falado de forma convincente, real, da vida de um adolescente.